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Destinos

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Em ação

Tommy Heinrich

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Você já tinha subido até o topo do Nanga Parbat antes desta expedição?
Não, o Nanga Parbat não, mas estive em vários outros picos de 8 mil metros. Sou o primeiro argentino a ter chegado ao topo do Everest e do Lhotse, que é a quarta maior montanha do mundo, e fiz algumas outras escaladas no Himalaia. Fico muito feliz com isso, mas também fico feliz quando não chego ao topo de uma montanha. Acho que se aprende muito com o fracasso e isto provavelmente foi a melhor coisa desta expedição. Não acho que tenhamos fracassado, demos o melhor de nós, mas a montanha nos dizia que não poderíamos chegar ao topo. E nós escutamos.

Qual é a dificuldade de ser fotógrafo e alpinista?
Obviamente, é um grande desafio quando se está lá em cima e o oxigênio é escasso – tudo exige mais esforço e eu carregava muito mais peso do que os outros. Além disso, eu tinha que correr à frente das pessoas e deixar que me passassem e correr na frente delas de novo para fazer boas imagens. Em outras ocasiões, para conseguir boas fotografias, eu tinha que largar das cordas e dos locais seguros que estabelecemos na montanha. As boas fotografias não acontecem quando você está em cima das pessoas, pelo menos na minha experiência. E quando está tão frio lá fora e eu preciso parar para compor ou me preparar para fazer a foto, não é fácil. Com freqüência acho difícil até tirar a câmera da mochila e tirar as luvas. Daí, quando você vê seus companheiros de escalada se afastando de você, depois de tanto esforço para alcançá-los, é desafiador. Mas eu adoro o desafio.

Como fazia tanto frio, houve algum problema técnico com o seu equipamento fotográfico?
A principal consideração era como o frio afetaria o equipamento. Minha primeira decisão foi não usar equipamento digital. Só levei uma câmera digital ao acampamento de base porque eu sabia que as baterias não durariam muito, e como estava tão frio, duraram até menos do que eu esperava. Levei muito pouco equipamento, três corpos de câmera e quatro ou cinco lentes, Usei câmeras Nikon 35mm e carreguei baterias de lítio e pilhas AAA. Eu as trocava todos os dias, por causa do frio. Eu mantinha a câmera razoavelmente aquecida carregando-a em uma pochete, e se estivesse muito frio, eu colocava no bolso do meu casaco acolchoado. Eu sempre mantinha o filme o mais aquecido possível, principalmente antes de colocá-lo na câmera.

Houve alguma situação perigosa durante a escalada?
Ah, sempre tem alguma coisa acontecendo, mas eu me lembro bem de um dia em que estávamos indo do acampamento de base na direção do acampamento um. Havia muitas avalanches e nós entramos na garganta onde era o ponto final das avalanches. A certa altura, vi uma avalanche chegando e achei que era uma boa oportunidade para fazer fotografias – até perceber que estava bem no caminho dela. Não tive muito tempo para reagir. Encontrei uma pedra grande atrás da qual me esconder, mas não percebi que uma perna tinha ficado ara fora. A minha perna foi atingida por um pedação de gelo – tinha fácil diâmetro de 30 centímetros. Isso me deixou um pouco preocupado. Ainda bem que eu encontrei aquele lugar ara me esconder, se não, não estaria aqui hoje.

O que você achou da decisão de desistir de chegar ao pico?
Foi muito frustrante, mas se há uma coisa que os poloneses e eu tínhamos muito claro na cabeça é que o pico era muito importante, mas a vida dos membros da equipe é muito mais importante. Então, quando chegou a hora de decidir se subiríamos ou se desceríamos, a decisão final estava muito clara. Fazia 40 dias que estávamos na montanha e tínhamos feito todo o possível para chegar ao pico, mas o clima não ajudava. Ventava sem parar o dia inteiro e as temperaturas estavam bem mais baixas do que esperávamos. A temperatura mais alta que pegamos no acampamento de base foi 5°C. Quanto mais se sobe, as temperaturas obviamente caem, chegaram a ficar entre -10°C e -20°C de dia e -40°C a -50°C à noite; quando o vento soprava, era ainda mais frio. O único lugar em que podíamos nos aquecer era no acampamento de base, onde tínhamos um aquecedor na barraca. O negócio é que passar tanto frio assim durante dias a fio afeta a cabeça da gente. Quando resolvemos voltar, todos ficamos bem aliviados. Foi a decisão certa..



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